Este era o nome de nossa casa de campo em Petrópolis. Era na estrada, km 44?, depois de uma curva fechada. A curva era em volta da casa.
O que me lembro é que passávamos lá as férias, as grandes e as pequenas.
Íamos com o Cadillac, motor V8, potente, onde todos cabíamos muito bem.
Na época acho que era um Coupé de Ville 1950, azul claro com o teto branco. Hidramático. Mamãe tinha também o carro dela, um carro inglês, um Morris cinza perolizado que ela guiava muito bem...
(O que me lembro deste Morris é que ele dava defeitos. Acabou tendo uma bomba elétrica de gasolina instalada e tudo se resolveu.) O mecânico e amigo do papai era o Walter Garaventa, tão bom que anos mais tarde seria o representante mecânico da Rolls Royce no Brasil.
Como é quase no topo da serra era comum o tempo fechado, neblina (ou russo, como falávamos).
No verão tempestades fortes com raios caindo a torto e a direito...
O que mais me lembra Papai no Quisissana é que ele se sacrificava por nós. Porque descia ao Rio todos os dias de manhã cedo, para trabalhar no Ministério da Aeronáutica.
Quando eu era bem pequeno ele descia e subia de "clipper" que eram uma espécie de táxi especial da época. Eram da marca Nash e como Papai sempre chegava sem atrasos hoje me admiro que aqueles carros aguentássem a subida da serra (que era de mão dupla e cheia de caminhões moles).
Depois ele ia e voltava de ônibus, que ele chamava de "bonitgostosão"). Eram da Única, americanos, carroceria marca Flxible, assim mesmo sem o "e". Na época eram os melhores ônibus. O motor ficava na traseira arredondada, que tinha a tomada de ar em cima. De frente era lindo, com 2 faróis de cada lado. As janelas eram em forma de paralelogramo, meio inclinadas. Sempre que ele nos levava para viajar com ele era uma coisa! Pelo que me lembro hoje, eles pareciam aviões por dentro.
Mas Papai chegava de noite e quase a gente não o via. Porque o Quisissana tinha luzinhas no portão. Mas só lá. E a estrada era escura, iluminada pelos faróis dos veículos ocasionalmente. Ocasionalmente mesmo, porque em 1952, 54... não havia quase trânsito naquela estrada.
Quando ele chegava (e a gente sabia pelo barulho do "gostosão" acelerando) íamos para a janela vendo seu vulto de terno e gravata E a inseparável pastinha se aproximar.
Quase sempre ele trazia algumas balinhas ou biscoitos que eram dados no "clipper" ou no Única.
Beijava a Mamãe e jantava com a gente.
Nos fins de semana ele não era de muita agitação. Vez por outra ia a Petrópolis e lá nos comprava caramelos no D'ângelo. Lia o jornal todas as manhãs. Ficava sentado ao ar livre quando o tempo o permitia.
E deve ter sido dele que alguns de nós pegamos habilidades práticas. Porque quase sempre era ele que resolvia problemas de eletricidade e de hidráulica. Tinha ferramentas e as sabia usar.
Bons tempos aqueles, um mundo só nosso, e Mamãe e Papai para cuidar da gente!
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